O QUE SÃO VITRAIS?
Vitrais são elementos arquitetônicos compostos de vidros coloridos instalados em caixilhos de metal ou de madeira, formando janelas com desenhos abstratos, geométricos ou figurativos, que ajudam a criar efeitos tanto ambientais quanto narrativos por meio de jogos de luz e cor.
A origem do vitral é incerta, mas a literatura fala do uso do vidro colorido em janelas em Roma a partir do século III d.C. O grande apogeu do vitral se deu na Idade Média, no período gótico (por volta do século X a XV) nas catedrais europeias, principalmente na França e na Alemanha. O vitral também floresceu no mundo islâmico.
No século XV, partir da Reforma Protestante, a restrição ao uso de imagens nas celebrações e as guerras de religião afetaram a arte do vitral levando-a a certa estagnação.
Foi só a partir do final do século XIX, com os movimentos Arts & Crafts, Art Nouveau e Art Déco é que o vitral sofrerá um revival, saindo do universo religioso e se tornando elemento de design de interiores e de uso secular, figurando em mercados, museus, estações de trem, cafés e residências particulares.
O QUE É REALIDADE AUMENTADA?
Diferentemente da Realidade Virtual, que cria ambientes virtuais digitais, a Realidade Aumentada é uma técnica que insere marcadores digitais em determinado ambiente, perceptíveis por meio de dispositivos fixos e móveis, e que permitem ampliar a experiência sensorial do usuário com certo conteúdo.
Ela tem sido usada em diferentes campos e aplicações, desde o entretenimento e educação passando pela engenharia, a medicina e o comércio digital.
UNINDO R.A. E VITRAIS
A pergunta base do nosso projeto é: como usar a tecnologia digital para divulgar exemplares de vitrais presentes em espaços de tradições religiosas não católicas existentes na cidade de Curitiba a um público que não os conhece?
Os vitrais e seu conceito de imagens projetadas em ambiência (por meio da luz que atravessa janelas com vidros coloridos) são ancestrais de inventos como a câmera escura, a fotografia, o cinema, os projetores de slides, os retroprojetores e os projetores multimídia, e estão na gênese de formas de arte sequencial populares, como as histórias em quadrinhos, por exemplo (BRANDÃO,1994). Além do fato de serem depositários de grande parte da arte que se produziu no Ocidente, os vitrais possivelmente ajudaram também na construção do modelo mental e na forma de lidar com a informação imagética de nossa civilização (SARRO; FERNANDES, 2022).
No que diz respeito à Realidade Aumentada (R.A) e sua relação com vitrais, há pelo menos duas iniciativas fora do Brasil associando essa moderna tecnologia digital com aquela arte secular. Uma delas é o sobre o uso de R.A para interação com conteúdo físico (e também virtual) relacionado à preservação de elementos do Patrimônio Cultural do sítio histórico nacional de Parliament Hill, em Ottawa, Canadá. Por meio de Realidade Aumentada, visitantes puderam continuar a ter acesso ao conteúdo dos vitrais de janelas neogóticas, instaladas na Câmara dos Comuns, pelo tempo em o espaço esteve fechado para reformas (CARRIÓN-RUIZ et al,2019).
fonte da imagem:https://www.researchgate.net/publication/330771332, Acesso em 21 abril 2022.
A outra iniciativa é do Vitromusée, museu do vidro situado na cidade suíça de Romont, no Cantão de Friburgo. O museu desenvolveu um aplicativo com Realidade Aumentada para auxiliar visitantes a ter acesso a informações importantes sobre vitrais, (tais como dados do artista, significado das figuras, esboço original da peça e ano de confecção), bem como para ampliar detalhes de modo a serem observados mais de perto. O aplicativo pode ser baixado para celulares nas versões iOS e Android (a partir de lojas virtuais) e usa a câmera do aparelho para fazer a varredura do vitral.
fonte da imagem: https://vitromusee.ch/Seria positivo disponibilizar algo parecido para o acesso do grande público de Curitiba com fins da divulgação de vitrais presentes em espaços religiosos de outras tradições que não a católica e por isso, talvez menos conhecidos da população majoritariamente católica.
REFERÊNCIAS
BRANDÃO, Inácio de Loyola. Luz no êxtase: vitrais e vitralistas no Brasil. São Paulo: Doréa Booksand Art, 1994.
CARRIÓN-RUIZ, Berta et al. Augmented Experience to Disseminate CulturalHeritage: House Of Commons Windows, Parliament Hill National Historic Site (Canada). Artigo.Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/330771332, Acesso em 21 abril 2022.
SARRO, Ed Marcos; FERNANDES, Marcio Luiz. (artigo): Do figurativo ao abstrato: nuances dovitral na arquitetura religiosa protestante brasileira em Curitiba. Revista Caminhando v. 27, p. 1-22,jan./dez. 2022 <https://doi.org/10.15603/2176-3828/caminhando.v27e022013>







